IMPÉRIO DOS SENTIDOS

 

Bhagavan querido: hoje cedo, no instante em que acordei, tive nítida consciência da força dos sentidos físicos (visão, tato, etc.).

Isto porque, um segundo antes de despertar, eu estava no mundo dos sonhos e, um segundo depois, estava aqui, neste mundo.

Enquanto no sonho, aquele era o mundo real; deste que agora percebo, porém, nenhuma percepção havia...

 

Tal experiência te foi oferecida para comprovares, por conta própria, o que sabes teoricamente: o poder que os sentidos exercem sobre o ego; contudo, a realidade que eles nos impigem é ilusória, mesmo agora, já.

A crença generalizada, de que este mundo (ou qualquer outro) é a causa das percepções sensoriais, é ignorância espiritual. Na verdade, se dá exatamente o oposto: seja lá qual for o mundo, ele é consequência dos sentidos, e os sonhos são exemplos perfeitos para corroborar esta aparente absurda afirmação. Assim é, pois, antes do mundo-sonho existir, há de existir o sonhador e seus respectivos sentidos-sonho (visão-sonho, tato-sonho, etc.). Somente após todos estes se estabelecerem, começa o mundo do sonho.

 

Mas, Bhagavan, por que o sonho parece real?

 

O mundo do sonho parece real, durante o sonho, porque ele é a criação; não, o criador. A criação nunca duvida de seu criador. As visões oníricas parecem reais, porque são obras da visão-sonho. As coisas do sonho parecem sólidas, porque são julgadas pelo tato-sonho. E por aí vai...

 

O que é, então, este mundo que chamamos de real?

 

Esta é a parte mais difícil da evolução espiritual: obter a certeza interior de que, neste exato momento, estamos sendo enganados pelos sentidos, assim como acontece nos sonhos. Este mundo também é uma ilusão ("maya").

A Realidade é sempre presente, sempre consciente. Nada, ora percebido, ora não, é REAL/VERDADE. Quando dormes, este mundo não existe; então, não é Real. E não tentes escapar da Verdade, dizendo que, embora não percebas o mundo enquanto estás dormindo, os outros que estão acordados o percebem. Os "outros" fazem parte do mundo que está sob julgamento; portanto, não são testemunhas confiáveis. Durante o sonho, se perguntares aos "outros" se aquilo tudo é real, eles responderão: sim!

 

Então, Bhagavan, Realidade/Verdade não existe? Nada percebo que esteja sempre presente...

 

Durante os sonhos, lembra-te de pessoas e fatos deste mundo, embora o sonhador não seja este "joão de tal", aqui presente.

Quando despertas, lembra-te do sonho, embora ele não tenha sido vivenciado por este mesmo "joão de tal".

Quando acordas após tranquila noite sem sonhos, sabes que não sonhastes, embora no sono não houvesse consciência do "joão de tal", isto é: não foi ele quem experienciou o sono sem sonhos.

Portanto, há um vínculo nestes 3 casos, uma Consciência que vivencia os 3 citados estados de consciência, isto é: está sempre presente.

Tal Consciência é a única Verdade que existe, a única Realidade que existe, é o "Reino de Deus", aqui e agora.

 

Dura é esta lição, Bhagavan. Pequenino como sou, ai de mim!

 

Na escritura sagrada chamada "Bíblia" há o incentivo para o sincero buscador: o pequenino Davi derrotou o gigantesco Golias. Vós, portanto, que estais na busca da VERDADE/DEUS, não deveis desanimar diante dos obstáculos aparentemente invencíveis. A Graça Divina, a força interior que levou Davi à vitória, está latente em todos os corações e, quando desperta, é muitíssimo mais poderosa do que o império sensorial. A sinceridade espiritual é o estopim necessário e, na hora certa, a explosão interior da Graça lançará a Consciência nas alturas do "Reino de Deus", do "Nirvana", do "SER", muito acima do ego e suas limitações, livre da tirania dos sentidos. Esta é a autêntica Libertação bíblica, a genuína Ressurreição (de um espiritualmente morto).

 

 

09/05/2026

 

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